quinta-feira, 23 de julho de 2015

Pra onde mais eu quero ir?

Faz 39 dias que estou a 13100km de casa. Isso é: a cada dia andei 335,897436km se você pensar logicamente, mas pra mim parece que essa quilometragem só aumenta. Não é bem a geografia e a matemática da coisa entende? É a história, a sociologia, a arte; é o inglês, o espanhol, o tailandês, chinês, japonês, tcheco, o português... O português? Não, o português não... E não é a língua em si, é o que ela representa. Em um mês a gente percebe que idade, nacionalidade, sexo e muito mais: contam. E essas categorias tem um jeito único e especial filha da puta de te mostrar isso. Não, você não necessáriamente precisa sair do seu país pra perceber isso, mas eu precisei (sabe-se lá o porque).
Então esses são alguns dos exemplos que consegui pensar agora:
-Percebi que homem é homem e mulher é mulher em qualquer endereço. (+30km)
-Percebi que eu subestimava, e muito, a mentalidade das pessoas de fora do Brasil, a malícia é igual em todos os lugares, pois não são lugares, são pessoas. (+60km)
-Percebi também que quando estamos entre amigos, idade não importa; mas ela conta e como conta. (+90km)
Falando com meu pai ele disse: "Você já está na Austrália, pra onde mais você quer ir?" e eu não tive que pensar nem um segundo pra responder: "Pro mundo!". Tudo o que eu acumulo viajando vai pras milhas que eu gasto mais tarde em outras viagens, mas essas, diferentes das sistemáticas milhas aéreas, eu nunca perco.
Não sei se fui clara, mas o que quero dizer é que se eu for parar todos os dias pra fazer as contas eu não vou terminar com menos e sim com mais, então em 39 dias a 13100km de casa eu não ando todo dia um pouco, eu ando é muito, mas sempre prestando atenção pra não correr, porque cada vez que começo a corrrer eu caio e dói, como dói, então por enquanto vou só caminhar.

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